Home ModaGeorges Hobeika celebra o tempo e o artesanato na coleção Primavera-Verão 2026 apresentada em Paris

Georges Hobeika celebra o tempo e o artesanato na coleção Primavera-Verão 2026 apresentada em Paris

Em contraste com o ritmo acelerado da fast fashion, o estilista libanês propõe uma moda guiada pela contemplação e pela elegância artesanal, reafirmando o valor da criação lenta e atemporal.

by Redação
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Na Paris Fashion Week Primavera-Verão 2026, o estilista Georges Hobeika apresentou uma coleção que se afasta das urgências do consumo e reafirma o valor do tempo como elemento essencial da criação. Em um momento em que a moda global é marcada pela velocidade e pela descartabilidade, o designer libanês defende o retorno à contemplação, à essência e à arte do fazer.

A coleção prêt-à-porter de Hobeika é um manifesto silencioso contra a efemeridade. “A indústria nos diz que devemos sempre desejar algo novo, mas acreditamos em levar tempo para apreciar a beleza simples de uma peça de roupa”, afirma o criador. Essa filosofia se traduz em uma alfaiataria fluida e feminina, onde linhas delicadas, cortes precisos e uma paleta de tons suaves formam uma narrativa de elegância discreta.

Os brancos baunilha, beges caramelizados e rosas framboesa se misturam em harmonia com sutis pontos de preto, criando um equilíbrio entre serenidade e intensidade. As texturas — ora lisas, ora trabalhadas com sobreposições — revelam o cuidado manual que caracteriza o savoir-faire da maison. “Não desenhamos para nos encaixar nas caixas da indústria, mas para oferecer o privilégio de reinar sobre sua própria existência com peças feitas para ser estimadas”, diz Hobeika.

Essa é a essência da casa: sofisticação sem esforço, modernidade atemporal e uma beleza que se revela lentamente. Cada coleção não surge como ruptura, mas como um novo capítulo da mesma história — uma continuidade que reforça a identidade criativa da marca.

Desde 1995, a Maison Georges Hobeika, fundada em Beirute e hoje sediada entre o Líbano e Paris, é resultado do diálogo artístico entre Georges e Jad Hobeika, pai e filho. Juntos, transformaram a marca em sinônimo de requinte e emoção. Ao optar por uma criação livre das pressões do calendário industrial, os designers reafirmam que o luxo contemporâneo reside na intenção, no toque humano e na durabilidade emocional de cada peça.

Em Paris, Hobeika lembrou que a moda pode  e deve  ser um gesto de resistência à pressa. Um convite para saborear o tempo e transformar o vestir em arte.

ANÁLISE

A coleção de Georges Hobeika para a Primavera-Verão 2026 reafirma uma tendência crescente: o retorno à moda emocional e artesanal. Em meio ao barulho da produção em massa, o estilista escolhe o silêncio da paciência, a leveza dos tecidos e a elegância da forma.

Sua proposta não busca reinventar a roda, mas resgatar a importância da autoria e do processo criativo — valores frequentemente esquecidos em uma indústria guiada por algoritmos e sazonalidades. O discurso do “tempo” em sua coleção vai além da estética; é uma filosofia que reposiciona o criador no centro da narrativa da moda.

Ao trazer tons calmos, volumes equilibrados e uma alfaiataria poética, Hobeika redefine o prêt-à-porter como um território de contemplação. Sua mensagem é clara: a verdadeira modernidade está em desacelerar.

A coleção, portanto, não é apenas uma resposta à fast fashion — é uma celebração do fazer manual como ato de resistência e elegância.

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