O Brasil enfrenta um cenário alarmante no combate ao câncer. Com estimativa de 704 mil casos novos por ano até 2025, o país está prestes a superar as doenças cardiovasculares como principal causa de morte RBC INCA. Especialistas alertam que, sem ações eficazes de prevenção e diagnóstico precoce, o Sistema Único de Saúde (SUS) corre o risco de não acompanhar o avanço da doença.
Diagnóstico tardio compromete chances de cura
Atualmente, entre 60% e 70% dos casos de câncer no Brasil são diagnosticados em estágios avançados, o que reduz significativamente as chances de cura e aumenta os custos do tratamento RBC INCA. Em países desenvolvidos, essa taxa é inversa, com cerca de 30% dos casos diagnosticados precocemente.
José Barreto Cavalheira, coordenador-geral da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer do Ministério da Saúde, destaca que, apesar de avanços, o diagnóstico tardio continua sendo um dos principais desafios. Ele cita o exemplo da radioterapia, onde pacientes precisam percorrer distâncias superiores a 20 horas para acessar o tratamento, situação considerada inaceitável pelo governo.
Avanços terapêuticos e desafios na incorporação de tecnologias
A incorporação de novas terapias, como a imunoterapia, tem mostrado resultados promissores. No entanto, a demora na aprovação desses tratamentos pelo SUS é uma preocupação. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) leva, em média, 180 dias para decidir sobre a inclusão de novos tratamentos, período durante o qual o estado de saúde do paciente pode se agravar.
Vacinação contra o HPV: avanços e desafios
A vacina contra o HPV é uma ferramenta eficaz na prevenção de diversos tipos de câncer, como o de colo do útero. Em 2024, o Brasil atingiu mais de 82% de cobertura vacinal entre meninas de 9 a 14 anos, superando a média global de 12% Serviços e Informações do Brasil. Entre os meninos da mesma faixa etária, a cobertura chegou a 67%.
Apesar desses avanços, a adesão à vacina ainda é insuficiente. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) alerta que a cobertura vacinal do HPV está aquém do necessário, especialmente entre adolescentes de 15 a 19 anos. Até agosto de 2025, apenas 47% dessa faixa etária estava imunizada, evidenciando a necessidade de estratégias mais eficazes para ampliar a vacinação.
Desigualdade no acesso ao tratamento
A concentração de centros especializados nas regiões Sul e Sudeste do país agrava a desigualdade no acesso ao tratamento oncológico. Pacientes de outras regiões enfrentam dificuldades significativas para acessar terapias avançadas, o que compromete a equidade do SUS.
