Home CulturaFabiana Cozza e Nei Lopes celebram inéditas do samba em edição especial do Samba na Gamboa

Fabiana Cozza e Nei Lopes celebram inéditas do samba em edição especial do Samba na Gamboa

Programa destaca repertório autoral do veterano sambista e reforça memória cultural do gênero em uma roda de música e diálogo sobre ancestralidade

by Redação
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O Samba na Gamboa, programa da TV Brasil, recebe neste domingo (12), às 13h, uma edição especial com a presença do veterano Nei Lopes e da cantora Fabiana Cozza. A atração, comandada pela apresentadora Teresa Cristina, traz uma combinação única de entrevista, música e celebração da cultura afro-brasileira, ao abrir um baú de obras inéditas do compositor carioca.

Durante o programa, os convidados cantam clássicos de Nei Lopes e interpretam faixas do álbum Urucungo, lançado por Fabiana Cozza em 2023, que traz 12 obras inéditas do mestre, incluindo colaborações com Wilson Moreira, Leci Brandão, Guinga, Ivan Lins e Francis Hime. Além disso, o repertório inclui sucessos consagrados, como Senhora Liberdade, Samba do Irajá, e composições em parceria com Wilson Moreira, como Gostoso Veneno e Ao Povo em Forma de Arte.

O programa é transmitido ainda no YouTube e no app TV Brasil Play, com reprise aos sábados às 23h, e na Rádio Nacional ao meio-dia, proporcionando múltiplas formas de acesso ao público.

Nei Lopes, que acumula mais de 50 livros publicados e é profundo estudioso das culturas africanas, compartilha sua trajetória artística e sua relação com a escrita e a música. “O destino é inexorável: quando traça, acontece. Quando me perguntam por que você escreve tanto, eu digo que é porque não tenho outra coisa para fazer em casa”, comenta Lopes, refletindo sobre o prazer de criar e resgatar experiências históricas do passado. O sambista de 83 anos enfatiza também a importância do Salgueiro, terreiro que marcou sua carreira.

Fabiana Cozza, por sua vez, fala sobre o cuidado na seleção das canções para o álbum Urucungo. “Fui por uma seleção que me orienta desde o primeiro trabalho. Vou me permitir me emocionar com as canções. Quando o coração escuta e arrepia”, afirma. Ela ressalta a importância da ancestralidade e das influências de Clara Nunes e Dona Ivone Lara em sua trajetória: “Uma homenagem é para além de escolher músicas e cantar aquele compositor. É dizer o que você pensa e dialoga.”

O programa resgata também a memória do álbum icônico A Arte Negra (1980), parceria de Nei Lopes e Wilson Moreira, cujas músicas foram gravadas por grandes nomes da MPB, como Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes. O Samba na Gamboa, criado para celebrar a tradição do samba, combina grandes intérpretes das novas gerações e artistas consagrados, mantendo viva a roda de samba no canal público desde 2008.

Análise:
A edição especial reforça a importância do resgate cultural e do diálogo entre gerações na música popular brasileira. A escolha de Lopes e Cozza evidencia como a tradição e a inovação podem caminhar juntas, ao mesmo tempo em que demonstra o papel dos meios públicos na preservação da memória cultural. Programas como o Samba na Gamboa vão além do entretenimento, oferecendo reflexão sobre ancestralidade, identidade e valorização de referências históricas.

No entanto, a produção também enfrenta desafios contemporâneos, como a necessidade de atrair novas audiências em plataformas digitais sem perder a essência de seu público tradicional. A integração com YouTube, apps e rádio é um passo importante, mas há espaço para ampliar a interação e criar conteúdo educativo que explique o contexto histórico e social das canções apresentadas, tornando o programa não apenas um espetáculo musical, mas uma ponte entre história, cultura e educação.

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