No domingo, 12 de outubro, véspera do Dia Mundial da Trombose, a Avenida Paulista se tornará um grande espaço de conscientização sobre uma das doenças cardiovasculares mais subestimadas do país. A Sociedade Brasileira de Trombose e Hemostasia (SBTH), em parceria com o Centro de Doenças Tromboembólicas do Hemocentro da Unicamp (CDT) e com apoio da FIESP, vai instalar uma base de cuidados em trombose aberta ao público, entre 10h e 15h, em frente à estação Trianon-MASP.
A ação tem como foco levar informação, prevenção e diagnóstico precoce à população. O evento contará com quatro estações educativas, onde médicos e especialistas vão orientar sobre o que é trombose venosa e arterial, seus sintomas, fatores de risco e formas de prevenção.
Entre os fatores de risco mais comuns estão viagens longas, obesidade, tabagismo, sedentarismo, uso de anticoncepcionais e reposição hormonal, gestação e câncer. Haverá ainda triagem com exames gratuitos — como aferição de pressão arterial, glicemia, bioimpedância, eletrocardiograma e avaliação de insuficiência venosa — além de orientações sobre o uso de meias de compressão.
A mobilização também inclui uma caminhada de conscientização, que sairá do Hospital Sírio-Libanês por volta das 9h da manhã, com destino à FIESP. A população é convidada a participar, e os interessados podem se inscrever para receber camisetas exclusivas pelo site sbth.org.br/caminhada-da-saude.
Segundo a SBTH, o Brasil registrou mais de 36 mil novos diagnósticos de trombose apenas no primeiro semestre de 2025, uma média de 200 internações por dia. Em 2024, o número ultrapassou 75 mil casos, mostrando uma tendência de crescimento. De acordo com o Ministério da Saúde, a trombose é hoje a terceira causa de óbitos cardiovasculares no país, ficando atrás apenas do infarto e do AVC.
A presidente da SBTH, Joyce M. Annichino, alerta que o problema é agravado pela falta de informação.
“Com medidas simples no dia a dia, é possível reduzir muito o risco de trombose. É fundamental informar corretamente a população, incentivando hábitos como movimentar-se, manter-se hidratado, controlar o peso, evitar o cigarro e adotar medidas preventivas em viagens longas”, ressalta.
De acordo com dados recentes do Ministério da Saúde, entre 2012 e 2023, o Brasil registrou 489 mil internações por trombose venosa. Em 2023, foram 165 hospitalizações diárias, recorde histórico, número que aumentou ainda mais em 2025.
Outro dado preocupante é o aumento de casos entre jovens de 20 a 40 anos, especialmente entre mulheres que fazem uso de anticoncepcionais e pessoas que utilizam hormônios anabolizantes ou fazem reposição hormonal sem acompanhamento médico. A pandemia da Covid-19 também deixou um legado negativo: pacientes que tiveram formas graves da doença apresentaram risco elevado de desenvolver eventos tromboembólicos.
A trombose ocorre quando há formação de coágulos sanguíneos (trombos) que bloqueiam a circulação, podendo causar embolia pulmonar, AVC ou infarto. Os sintomas iniciais incluem inchaço, vermelhidão, dor e sensação de calor nos membros afetados. O atendimento médico rápido é essencial para evitar complicações.
Análise
O evento na Avenida Paulista representa mais do que uma ação simbólica: é um chamado à consciência coletiva sobre um problema silencioso e crescente. No Brasil, a trombose ainda é tratada com descuido, embora cause milhares de mortes anuais e gere alto custo ao sistema de saúde.
A estratégia de levar a informação para o espaço público em plena Paulista é um acerto, pois rompe a barreira do hospital e aproxima a medicina da população comum. Enquanto campanhas sobre câncer e infarto recebem ampla visibilidade, a trombose ainda sofre com subnotificação e falta de campanhas contínuas.
Outro ponto importante é o perfil epidemiológico em mudança: a doença não atinge apenas idosos ou acamados, mas também jovens produtivos, sedentários e mulheres sob uso de anticoncepcionais. Essa transformação exige novas abordagens de comunicação e prevenção.
A criação do 4º Simpósio Internacional da SBTH, previsto para novembro em São Paulo, mostra que a ciência brasileira busca soluções integradas — unindo pesquisa, saúde pública e conscientização social.
Em um país que enfrenta mais de 200 internações diárias por trombose, ações como esta são fundamentais para reverter um quadro que, com informação e prevenção, pode ser amplamente evitado. A vida em movimento é a principal arma contra a doença silenciosa que mata sem aviso.
