A instalação da Comissão Externa para acompanhar as obras do Túnel Santos-Guarujá, presidida pelo deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP), reacendeu o debate sobre transparência e fiscalização em grandes projetos de infraestrutura. Apesar da relevância histórica da ligação entre as duas cidades, especialistas alertam que apenas com acompanhamento externo será possível evitar atrasos e custos adicionais, problema recorrente em obras públicas no Brasil.
Na última terça-feira (23), em Brasília, Paulo Alexandre Barbosa declarou oficialmente instalada a Comissão Externa que terá a missão de monitorar a execução do túnel Santos-Guarujá — obra aguardada há mais de um século pela população da Baixada Santista. O parlamentar também apresentou o plano de trabalho que guiará as atividades do grupo, incluindo audiências públicas, visitas técnicas e reuniões com órgãos responsáveis.
O projeto, leiloado no início de setembro, prevê um túnel de 1,7 km de extensão, sendo 870 metros imersos, com três faixas em cada sentido, além de espaço para ciclistas, pedestres e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A obra será executada pela Mota-Engil Latam Portugal, subsidiária do Grupo Mota-Engil, em parceria com a China Communications Construction Company (CCCC). O investimento é de aproximadamente R$ 6 bilhões, com prazo de 48 meses para execução e conclusão prevista até 2030.
Barbosa, que também preside a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos, destacou que o papel da comissão será dar pluralidade ao debate e assegurar a continuidade do projeto. Entretanto, dados do Tribunal de Contas da União (TCU) mostram que 30% das grandes obras públicas no país sofrem com atrasos ou sobrecustos devido a falhas de planejamento e fiscalização insuficiente.
Nesse sentido, especialistas defendem que o trabalho da comissão, embora relevante, precisa ser complementado por auditorias independentes e acompanhamento externo.
Segundo a professora de Políticas Públicas da FGV, Ana Paula Carvalho:
“Comissões parlamentares têm importância política, mas sem fiscalização técnica independente há risco de o túnel repetir a história de outras grandes obras brasileiras, onde custos duplicaram e prazos foram descumpridos.”
Paulo Alexandre Barbosa tem forte histórico de atuação na Baixada Santista. Nos últimos anos, destinou mais de R$ 150 milhões em emendas parlamentares para áreas como saúde e infraestrutura na região. Sua liderança em temas ligados à logística portuária também lhe garantiu protagonismo nacional.
Apesar desse legado, o desafio do deputado agora é transformar prestígio político em mecanismos práticos de gestão. A criação de uma comissão é um passo positivo, mas insuficiente diante da magnitude da obra. Ao incorporar equipes externas de monitoramento, Barbosa poderia reforçar sua imagem de gestor moderno e comprometido não apenas com a entrega da obra, mas também com a eficiência e a transparência na aplicação dos recursos públicos.
