Mais de 30 mulheres participaram nesta quarta-feira (10) da roda de conversa “O príncipe que criei”, realizada na Casa da Mulher Guarulhense II, no bairro Pimentas, em Guarulhos. A iniciativa da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres teve como objetivo promover reflexões sobre a dinâmica dos relacionamentos, o fortalecimento pessoal e a construção da autonomia feminina.
A roda de conversa “O príncipe que criei” reuniu mulheres de diferentes idades e trajetórias na Casa da Mulher Guarulhense II, localizada no bairro Pimentas, em Guarulhos. Promovido pela Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, o encontro teve como proposta discutir o papel da mulher nas relações afetivas e familiares, além de incentivar o autoconhecimento, o fortalecimento emocional e a valorização da autoestima.
De acordo com a subsecretária Vanessa de Jesus, o evento proporcionou um momento de partilha e reflexão. “É emocionante ver tantas mulheres reunidas para refletir sobre seus papéis, sentimentos e caminhos. Cada roda de conversa é uma oportunidade de fortalecimento, descoberta e renovação da autoestima”, destacou.
A gestora ressaltou ainda que, historicamente, as mulheres foram ensinadas a cuidar dos outros, muitas vezes esquecendo de si mesmas. “Hoje, estão aprendendo que o amor e o respeito também começam dentro delas. Que todas possam seguir construindo relações mais justas, baseadas na parceria e na autonomia”, afirmou Vanessa.
O tema foi conduzido pelo psicólogo Maurício Martins Ferreira, do Centro de Proteção à Mulher Guarulhense, que abordou questões sobre a evolução do papel feminino na sociedade, igualdade de gênero e as idealizações equivocadas sobre o papel do homem e da mulher nas relações.
Segundo o especialista, o modelo patriarcal ainda exerce influência sobre o comportamento social, mas vem sendo transformado por meio do conhecimento e da educação. “Durante muito tempo, o homem foi visto como chefe da família, enquanto a mulher deveria obedecer. Hoje, o modelo de relacionamento está se tornando colaborativo, baseado na parceria e na retroalimentação afetiva. As tarefas do lar e o cuidado com a família passaram a ser responsabilidades compartilhadas”, explicou.
Entre as participantes, a depiladora Simone Aparecida da Silva, de 50 anos, destacou a importância de debater o tema em espaços de acolhimento e aprendizado. “Essas conversas são fundamentais para que possamos expressar o que sentimos, ouvir outras histórias e aprender com as experiências. Isso nos ajuda a evoluir e enxergar onde podemos melhorar”, afirmou.
Simone contou que interrompeu os estudos na juventude para se casar, mas decidiu retomar a vida acadêmica aos 43 anos por meio do Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Atualmente, ela realiza o sonho de cursar massoterapia no Senac, buscando independência e crescimento pessoal. “Quero conquistar minha autonomia financeira e continuar evoluindo como mulher”, disse.
A iniciativa faz parte das ações permanentes da Subsecretaria de Políticas para as Mulheres, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos, que promove atividades voltadas ao fortalecimento social e econômico das mulheres, além de oferecer apoio psicológico e orientação jurídica em casos de vulnerabilidade.
Análise:
A roda de conversa “O príncipe que criei” reflete o avanço das políticas públicas voltadas ao empoderamento feminino e à promoção da igualdade de gênero. Ao estimular o diálogo e o compartilhamento de experiências, a ação contribui para a desconstrução de padrões culturais patriarcais e fortalece a autonomia das mulheres em suas decisões pessoais e profissionais. Iniciativas como essa evidenciam a importância de espaços institucionais de escuta e aprendizado contínuo, fundamentais para o desenvolvimento social e emocional das participantes e para o fortalecimento de uma cultura de respeito e equidade.
