O líder da maioria no Senado, John Thune (R-SD), descartou a possibilidade de recorrer à chamada “opção nuclear” para eliminar o filibuster legislativo e permitir que os Republicanos encerrem a paralisação do governo sem a necessidade de votos Democratas.
Em declarações recentes, Thune afirmou que o requisito de 60 votos para aprovação de projetos é uma proteção histórica para o país. “O limite de 60 votos tem protegido este país”, disse, destacando que, sem o filibuster, os Democratas poderiam ter promulgado “muitas coisas ruins”.
Para Thune, a supermaioria é um elemento essencial que “torna o Senado o Senado”. Ele acrescentou: “O filibuster protege; tem sido uma voz para a minoria; ele dá à minoria uma palavra no que acontece neste país. Os fundadores criaram o Senado de forma única, exatamente por essa razão específica.”
O impasse atual decorre do bloqueio de um projeto de lei temporário aprovado pela Câmara dos Representantes, que garantiria financiamento ao governo até 21 de novembro. Os Democratas condicionam sua aprovação a negociações bipartidárias sobre saúde e à extensão de subsídios de prêmio do Obamacare, previstos para expirar ainda este ano.
Thune ressaltou que a solução mais direta para reabrir o governo dependeria de cinco Democratas dispostos a romper com a minoria de seu partido e votar pelo fim do filibuster sobre o projeto temporário. “Precisamos de cinco Democratas ousados, corajosos e com coragem que estejam dispostos a enfrentar sua base ativista de extrema-esquerda, juntar-se a nós e aprovar isso”, afirmou.
O debate sobre o filibuster evidencia tensões históricas entre governabilidade e proteção da minoria legislativa, mostrando o equilíbrio delicado que molda o funcionamento do Senado americano e sua tradição de exigir consenso amplo para decisões cruciais.
Análise:
A posição de Thune reflete a complexidade do sistema legislativo americano, no qual a proteção da minoria é vista como pilar da democracia parlamentar. Ao recusar a “opção nuclear”, ele reforça a importância do diálogo e da negociação bipartidária, mesmo diante de crises como a paralisação do governo. O filibuster, frequentemente criticado por atrasar projetos, garante que decisões de grande impacto não sejam tomadas apenas por maioria simples, exigindo consenso e debate mais aprofundado. No entanto, essa proteção também pode paralisar iniciativas urgentes, evidenciando o conflito entre estabilidade institucional e eficiência legislativa. A atual situação expõe a necessidade de equilíbrio entre princípios históricos e demandas práticas, mostrando como a cultura política do Senado influencia diretamente a vida cotidiana dos cidadãos.
