Após meses de atritos públicos e pressões de alas mais conservadoras, o Partido Republicano do Texas decidiu neste sábado aplicar censuras formais a cinco de seus deputados estaduais, mas descartou a aplicação da sanção mais dura: banir os parlamentares das primárias de 2026.
A decisão foi tomada durante reunião do Comitê Executivo Republicano Estadual (SREC), no Capitólio do Texas, encerrando um impasse que dividia o partido desde o início do ano. O grupo analisava se dez membros da Câmara estadual deveriam ser punidos por “condutas contrárias às prioridades e princípios” do GOP texano.
No fim, o SREC aprovou a censura dos representantes Stan Lambert, Angelia Orr, Jared Patterson, Gary VanDeaver e Dade Phelan, ex-presidente da Câmara, enquanto rejeitou as moções contra outros cinco nomes, incluindo o atual presidente, Dustin Burrows. Lambert e Phelan já haviam anunciado aposentadoria política.
A votação representou um recuo em relação às propostas mais radicais apresentadas durante a convenção de 2024, quando o partido alterou suas regras internas para permitir o banimento de membros censurados das cédulas eleitorais. A mudança foi motivada por uma onda de indignação conservadora após o impeachment do procurador-geral Ken Paxton, episódio que expôs fissuras profundas dentro da legenda.
Durante a reunião, a assessora jurídica do partido, Rachel Hooper, alertou que a exclusão de nomes das primárias deveria ser tratada como uma “pena de morte política”, reservada a casos excepcionais. A maioria dos membros do comitê concordou, temendo que a medida criasse precedentes de perseguição interna e violasse direitos constitucionais de participação política.
As censuras foram baseadas em votos considerados “desalinhados” com as prioridades do partido — entre eles, o apoio à eleição de Burrows e a adoção de regras da Câmara que, embora limitassem o poder dos democratas, ainda preservavam parte de sua influência legislativa.
Apesar da tensão, a Câmara texana teve um desempenho amplamente favorável à agenda conservadora durante a atual legislatura, com a aprovação de 42 projetos de lei voltados à pauta do GOP, incluindo medidas sobre restrição de pílulas abortivas, reforço no combate à fraude eleitoral e regulamentações sobre banheiros em prédios públicos.
O próprio Burrows defendeu que o partido precisa “ser um veículo de empoderamento dos eleitores, e não de exclusão dos próprios membros”, ecoando a posição de parlamentares que veem nas censuras uma ferramenta de controle ideológico.
A decisão final marcou uma trégua momentânea. Embora o gesto tenha reduzido a escalada interna, o equilíbrio alcançado parece frágil diante das disputas de liderança e da crescente influência de alas que buscam maior ortodoxia política dentro do partido.
Análise:
A escolha do GOP texano de aplicar censuras simbólicas, mas evitar punições eleitorais severas, traduz um movimento estratégico que vai além da mera disciplina partidária. Trata-se de uma tentativa de preservar a imagem pública de coesão e de evitar um racha interno às vésperas de um novo ciclo eleitoral.
Nos últimos meses, o partido vem enfrentando um dilema recorrente: como reafirmar sua identidade conservadora sem comprometer sua unidade política. Ao optar por uma punição moderada, o SREC sinaliza uma leitura pragmática do cenário — reconhece que a força do partido depende mais da estabilidade institucional do que da pureza ideológica.
A decisão também reflete um cálculo político: medidas extremas poderiam abrir espaço para contestações judiciais e dar munição à oposição democrata, que acompanha de perto as divisões internas do GOP em um dos estados mais influentes do país. Manter as censuras, mas evitar a exclusão da cédula, permite ao partido demonstrar autoridade sem sacrificar sua base parlamentar.
Esse episódio evidencia que o Partido Republicano do Texas tenta ajustar suas fronteiras internas diante de uma era de polarização ampliada. A convivência entre pragmáticos e ultraconservadores se tornou um exercício delicado de gestão política — um equilíbrio que, embora funcional no curto prazo, revela a fragilidade das pontes internas que sustentam a legenda.
Enquanto as lideranças locais tentam preservar o foco em vitórias legislativas, o desafio agora é garantir que as disputas ideológicas não transformem o partido em um campo de batalha permanente. A moderação adotada neste sábado talvez não encerre o conflito, mas marca uma pausa necessária para que o GOP possa redefinir, com mais maturidade, o próprio rumo político no Texas.
