Um grupo de líderes inter-religiosos visitou Tallahassee na quinta-feira para solicitar acesso aos detidos no centro de detenção Alligator Alcatraz, localizado nos Everglades. A iniciativa envolveu clérigos de seis fés diferentes, incluindo representantes da Primeira Igreja Metodista Unida e do Judaísmo. O grupo entregou uma carta ao Departamento de Gerenciamento de Emergências da Flórida (FDEM), pedindo permissão para prestar serviços de capelania individual, prática comum em outras instalações correcionais do estado.
A solicitação ocorre em um contexto de atenção crescente sobre os direitos dos detidos em centros de imigrantes e sobre a aplicação da Primeira Emenda, que garante liberdade religiosa. Para os clérigos, o acesso é fundamental para oferecer suporte espiritual, independentemente da nacionalidade, religião ou status legal dos detidos.
Keith Pruett, diretor executivo adjunto do FDEM, informou aos clérigos que acreditava que a instalação já fornecia serviços religiosos. Ele prometeu encaminhar a questão ao diretor executivo Kevin Guthrie, que estava ausente, para que fosse analisada e definidos os próximos passos. Segundo o Rev. David Williamson, que participou da entrega da carta, Pruett se mostrou aberto à discussão e afirmou que faria acompanhamento sobre a solicitação.
O grupo de clérigos inclui oito pastores do Sul da Flórida e conta com apoio de mais de 100 religiosos de todo o estado, representando centenas de milhares de pessoas. Williamson destacou que a iniciativa busca prestar cuidado espiritual aos detidos e reforça o direito constitucional de acesso a esse tipo de serviço, baseado na Primeira Emenda.
A visita presencial segue uma série de tentativas anteriores de contato. Mais de um mês antes, o grupo havia enviado pedidos por e-mail, sem resposta clara. Guthrie respondeu ao primeiro pedido, informando que havia “encaminhado o pedido por e-mail”, mas sem especificar o destinatário. Na ocasião, ele indicou que a instalação seria esvaziada em poucos dias. A medida estava relacionada a uma ordem de um juiz federal que ordenou o fechamento gradual do centro, bloqueando temporariamente a administração Trump de enviar novos detidos para Alligator Alcatraz. Contudo, um tribunal de apelações suspendeu a decisão, mantendo a instalação em operação.
Paralelamente, a Igreja Católica havia solicitado autorização para fornecer serviços contínuos, incluindo missa, aos detidos e funcionários do centro. A Arquidiocese informou que o estado respondeu após meses de diálogo entre bispos da Flórida, lideranças católicas e autoridades correcionais estaduais. A resposta do FDEM aos clérigos inter-religiosos ainda aguarda definição.
Nos últimos dois meses, vigílias semanais têm reunido líderes religiosos e moradores da Flórida do Sul e Centro em frente ao centro de detenção. As reuniões ocorrem aos domingos à noite e têm duração de uma hora, com orações pelos detidos e manifestações em relação à decisão de manter o centro nos Everglades. O grupo inter-religioso afirma que a ação é apartidária e se concentra na dignidade e nos direitos espirituais dos detidos.
ANÁLISE
A mobilização inter-religiosa em Tallahassee evidencia a tensão entre políticas de detenção de imigrantes e direitos constitucionais nos Estados Unidos. O pedido de acesso para capelania individual mostra como líderes religiosos podem atuar como facilitadores de apoio emocional e espiritual, além de monitoramento social dentro de instalações sensíveis.
Embora Alligator Alcatraz já ofereça serviços religiosos, a solicitação reflete a necessidade de garantir equidade no acesso às práticas espirituais. Estudos em centros correcionais apontam que a capelania individual contribui para reduzir conflitos internos e aumentar a percepção de dignidade entre os detidos.
A resposta do diretor executivo do FDEM será indicativa da postura do estado quanto à integração de cuidados espirituais em centros de detenção e poderá servir como precedente para outras unidades correcionais. O caso também ressalta a importância de políticas que conciliem segurança, legalidade e respeito aos direitos constitucionais de pessoas detidas.
