Home InternacionalFamiliares de comissária de Chicago recebem quase US$ 22 milhões em contratos de agência de habitação pública

Familiares de comissária de Chicago recebem quase US$ 22 milhões em contratos de agência de habitação pública

Investigação revela que empresas ligadas à comissária Debra Parker, sua irmã e filha tiveram contratos milionários com a Chicago Housing Authority, mesmo após ela assumir cargo no conselho.

by Redação
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Uma investigação da rádio WBEZ revelou que empresas ligadas à comissária de longa data da Chicago Housing Authority (CHA), Debra Parker, receberam um total combinado de quase US$ 22 milhões em contratos da agência responsável pela habitação pública da cidade. Entre os beneficiados estão sua filha, Lovie Diggs, sua irmã Angela Parker e seu namorado, Charles Bell, dono da Parks and Bell Cleaning Co.

Os registros mostram que a Parks and Bell viu suas receitas saltarem de US$ 30 mil em 2015 para mais de US$ 1,4 milhão, após Parker assumir o conselho do CHA em 2018. A Ryan’s Cleaning, empresa da irmã Angela, recebeu mais de US$ 15 milhões desde que Parker se tornou comissária. A filha de Parker, Diggs, por sua vez, faturou mais de US$ 1 milhão nos cinco primeiros anos de sua empresa, mesmo após ser acusada de roubo de identidade em 2023, caso que resultou em condenação por um crime menor.

Parker afirma não ter influenciado os contratos, argumentando que a função do conselho é estabelecer políticas, e não distribuir contratos. “Não tenho autoridade direta”, disse a comissária. Segundo ela, todos têm direito de concorrer a contratos em um país livre, e recebeu orientação ética sobre o assunto.

Apesar das declarações de Parker, documentos públicos mostram que ela ocupou cargos de consultoria na Parks and Bell e ajudou no marketing e operações, inclusive sendo responsável por 20% das estimativas e assinatura de cheques da empresa antes de assumir o cargo no CHA. Mesmo após sua demissão do conselho da empresa, filhos de Parker continuaram a trabalhar na Parks and Bell, limpando sedes da agência durante a pandemia.

O caso ganhou repercussão no momento em que o prefeito Brandon Johnson adiou a nomeação do ex-vereador Walter Burnett para liderar a CHA. Burnett e sua esposa receberam mais de US$ 260 mil em vouchers de habitação, levantando questões sobre possíveis conflitos de interesse na agência.

A CHA é a terceira maior autoridade de habitação dos EUA, gerenciando programas como o voucher de escolha de moradia, que subsidia 70% do aluguel de famílias de baixa renda em imóveis privados. A complexidade do caso envolve questões éticas e legais sobre contratos internos, conexões familiares e transparência em uma agência pública que administra recursos significativos.

Análise:
A investigação sobre Parker e sua família evidencia os desafios de governança e ética em agências públicas que distribuem recursos milionários. Apesar de Parker alegar não ter influenciado os contratos, sua participação anterior na gestão das empresas e a proximidade familiar geram questionamentos legítimos sobre possíveis conflitos de interesse.

O caso também reflete como vínculos pessoais e familiares podem afetar a percepção de transparência em órgãos públicos, independentemente de violações legais formais. A exposição midiática reforça a necessidade de regras claras sobre conflito de interesses, divulgação de relações familiares e monitoramento de contratos em autoridades de habitação, garantindo que decisões beneficiem o público e não interesses privados.

O episódio mostra ainda como programas de habitação pública podem ser vulneráveis a interpretações éticas controversas, e como o escrutínio da mídia e órgãos de controle é essencial para preservar confiança em instituições que gerem recursos de milhões de dólares para a população mais vulnerável.

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