Home JustiçaMoraes concede mais cinco dias para governo do Rio enviar dados sobre operação que deixou 121 mortos

Moraes concede mais cinco dias para governo do Rio enviar dados sobre operação que deixou 121 mortos

Decisão amplia prazo para entrega de laudos e informações da Operação Contenção, ação policial realizada em outubro e alvo de questionamentos no STF.

by Redação
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu mais cinco dias para o governo do Rio de Janeiro enviar informações sobre a Operação Contenção, realizada em 28 de outubro e que resultou na morte de 121 pessoas. O novo prazo, que se estende até 17 de novembro de 2025, foi concedido após pedido do governo estadual. As informações integram o processo conhecido como ADPF das Favelas, que busca reduzir a letalidade policial em comunidades do Rio.

O Supremo Tribunal Federal (STF) voltou a cobrar esclarecimentos sobre uma das ações policiais mais letais já registradas no estado do Rio de Janeiro. O ministro Alexandre de Moraes, relator temporário da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635 — também chamada de ADPF das Favelas —, determinou nesta terça-feira (12) a prorrogação do prazo para o envio de documentos referentes à Operação Contenção, conduzida em 28 de outubro e que terminou com 121 mortos, segundo dados oficiais.

Em despacho, Moraes atendeu a um pedido do governo do Rio, que havia solicitado mais tempo para reunir os laudos necroscópicos e os relatórios balísticos exigidos pelo STF. O ministro destacou que a medida visa assegurar o cumprimento integral da decisão anterior, concedendo nova data limite até o dia 17 de novembro de 2025.

“Em vista do requerimento, defiro o pedido de prorrogação, determinando o cumprimento da decisão anterior até 17/11/2025”, escreveu o ministro em seu despacho.

A Operação Contenção foi realizada em diferentes pontos do estado e, segundo informações preliminares, teve como alvo integrantes do Comando Vermelho (CV), facção criminosa de atuação nacional. A ação, porém, gerou críticas de organizações de direitos humanos e entidades civis, que apontam possível uso excessivo da força e ausência de protocolos adequados de segurança.

A ADPF nº 635 foi ajuizada originalmente pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2019, com o objetivo de estabelecer parâmetros para reduzir a letalidade em operações policiais nas comunidades do Rio de Janeiro. Desde então, o Supremo tem determinado medidas voltadas à transparência e ao controle das ações de segurança pública.

Entre as determinações já fixadas pela Corte estão a obrigatoriedade de câmeras corporais nos uniformes policiais, o controle do uso de helicópteros durante incursões em áreas densamente povoadas e a necessidade de comunicação prévia ao Ministério Público e à Defensoria Pública antes de qualquer operação.

O episódio mais recente reacende o debate sobre o equilíbrio entre o combate ao crime organizado e a preservação de direitos fundamentais. Especialistas em segurança pública e juristas acompanham com atenção a condução da investigação e o envio dos laudos técnicos solicitados pelo STF, considerados fundamentais para esclarecer as circunstâncias das mortes ocorridas.

O governo do Rio ainda não divulgou detalhes sobre o andamento dos trabalhos periciais, mas informou que as equipes estão concentradas na análise de balas e projéteis recolhidos nas áreas de confronto. O Ministério Público estadual também acompanha o caso, avaliando eventuais indícios de irregularidades durante a operação.

Desde o início da ADPF das Favelas, o STF tem reforçado a importância de critérios rigorosos nas ações policiais em comunidades, especialmente diante de um histórico de letalidade elevado. Relatórios de entidades civis indicam que o Rio de Janeiro figura entre os estados com maior número de mortes decorrentes de intervenções policiais no país.

O novo prazo determinado por Moraes reforça o compromisso da Corte com a fiscalização e o acompanhamento das políticas de segurança pública, mantendo sob análise a compatibilidade das operações com os princípios constitucionais da dignidade humana e da proporcionalidade no uso da força.

Análise:
A decisão do ministro Alexandre de Moraes insere-se em um contexto de vigilância institucional sobre a condução das forças de segurança nos estados. Ao estender o prazo para o envio das informações, o Supremo busca garantir a completude das investigações e o cumprimento de medidas previamente fixadas pela ADPF das Favelas.

O caso evidencia a tensão recorrente entre a necessidade de combate ao crime organizado e a preservação de direitos fundamentais nas operações policiais. A cobrança por transparência e responsabilidade reforça o papel do Judiciário na mediação entre a segurança pública e a proteção de garantias constitucionais, mantendo o tema sob permanente observação no cenário nacional.

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